Folha de S. Paulo
| Folha de S. Paulo | |
|---|---|
| Folha de S.Paulo |
|
| Razão Social | Empresa Folha da Manhã S.A. |
| Periodicidade | Diário |
| Formato | Standard |
| Sede | São Paulo, SP |
| Circulação | Brasil |
| Fundação | 19 de Fevereiro de 1921 |
| Fundador | Olival Costa e Pedro Cunha |
| Proprietário | Empresa Folha da Manhã S/A |
| Presidente | Luís Frias |
| Dire(c)tor | Otavio Frias Filho |
| Se(c)ções | Brasil, Mundo, Dinheiro, Cotidiano, Esporte, Ilustrada, Acontece, Ciência, Guia, Informática, Mais, Revista da Folha |
| Website | http://www.folha.uol.com.br |
A Folha de S.Paulo, Folha de São Paulo, ou simplesmente Folha, é um jornal brasileiro editado na cidade de São Paulo. É o jornal de maior circulação do Brasil, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC). Ao lado de O Estado de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil, a Folha é um dos jornais mais influentes do país.
Índice |
História
Fundado em 19 de fevereiro de 1921 com o nome original de Folha da Noite por Olival Costa e Pedro Cunha, o jornal foi comprado na década de 1960 pelos empresários Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho, que o rebatizaram para Folha de S.Paulo.
Em 1930 apoiou a eleição de Júlio Prestes à presidência da República, sendo por isto depredada e fechada (na época se dizia empastelada) em 24 de outubro de 1930, quando a Revolução de 1930 saiu vitoriosa. Nesta época, a Folha contava com o consagrado caricaturista Lélis Viana, o Juca Pato. personagem que sempre criticava a Aliança Liberal de Getúlio Vargas.
A Folha voltou a funcionar em 1931 com novos donos e nova linha editorial, com o nome de Folha da Manhã e dirigida por Alves de Lima, Diógenes de Lemos Azevedo, Guilherme de Almeida e Rubens do Amaral até 1945, voltada para o apoio da agricultura.
Inicialmente, a Folha de São Paulo apoiou o golpe de 1964[1] e a ditadura militar implantada no Brasil até o governo do presidente general Ernesto Geisel, ao contrário de seu concorrente O Estado de S. Paulo, que chegou a sofrer intervenções e censura no período.
No início da década de 1970, essa postura provocou uma série de atentados contra veículos de entrega de jornais da Folha de S. Paulo, que eram incendiados por grupos de esquerda que faziam resistência à ditadura militar. Segundo Elio Gaspari, hoje colunista da Folha, "Carros da empresa (Folha) eram emprestados ao DOI, que os usava como cobertura para transportar presos na busca de 'pontos' " (Ditadura Escancarada, p. 395).[2]
No ano de 2009 a Folha gera polêmica ao chamar a Ditadura Militar Brasileira de "Ditabranda".
A ascensão de uma redação renovada e engajada, com a presença de nomes consagrados como os de Cláudio Abramo, Bóris Casoy, Clóvis Rossi e Jânio de Freitas acabou mudando a linha editorial do jornal, que na década de 1980, ficou marcado pelo apoio imediato constantes matérias cobrindo o movimento das Diretas Já.
Na década de 1980, o jornal foi pioneiro no Brasil na instalação de computadores e informatização da redação. Também no final da década de 1990, o jornal ousou ao contratar um ombudsman, uma espécie de ouvidor que anotava as críticas e opiniões dos leitores e tinha e ainda tem a independência de criticar matérias e reportagens do jornal com imparcialidade, sem represálias. O formato era tão pioneiro e revolucionário para a época que provocou muitos conflitos entre o então ombudsman Caio Túlio Costa e o articulista Paulo Francis, expostos numa série de artigos, que acabou se mudando para concorrente O Estado de S. Paulo.
Desde a década de 1980, a Folha também foi pioneira na adoção de infográficos e quadros que explicam, de maneira didática, os detalhes das principais notícias e o contexto das mesmas.
No início da década de 1990, a Folha começou a investir na criação de novos produtos e suplementos dentro do jornal, como a Revista da Folha, o caderno Folhateen e a TV Folha. Tendo como aliada uma grande campanha publicitária, em que o próprio diretor de redação Matinas Suzuki Jr aparecia na TV anunciando as novidades do jornal, a Folha passou a liderar as vendas em São Paulo, superando O Estado de S. Paulo.
A reforma gráfica em meados da década de 1990 e o lançamento de brindes como o Atlas da Folha e dicionários reforçaram a liderança na época. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares.
Porém, pouco mais de uma década depois, o cenário é completamente adverso. Dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC) mostram que a Folha fechou o primeiro trimestre de 2009 com média diária de 298.351, enquanto que no começo de 2000, essa média era de 429.476.[3] Houve também queda nas vendas avulsas. O jornal vendeu em média 21.849 exemplares em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009,[4] sendo hoje o vigésimo quarto jornal em vendas avulsas, atrás dos concorrentes O Globo (15º) e Estado de São Paulo (19º).
Em 2008, todavia, segundo levantamento do IVC, o jornal ainda mantinha a liderança de circulação (somando-se vendas avulsas e assinantes) dentre os jornais pagos, atingindo a média de 311.287 exemplares por dia.[5] Manteve a liderança também em 2009, ainda que a média de circulação tenha caído para 295 mil exemplares.[6]
Cadernos
- Cadernos diários
- A: Capa, Opinião, Brasil, Mundo, Ciência
- B: Dinheiro
- C: Cotidiano,
- D: Esporte
- E: Ilustrada, Acontece
- Classificados*
- Suplementos semanais
- Segunda-feira: Folhateen
- Terça-feira: Fovest
- Quarta-feira: Informática
- Quinta-feira: Equilíbrio, Turismo
- Sexta-feira: Guia da Folha*
- Sábado: Folhinha, Vitrine
- Domingo: Mais!, Revista da Folha*;Revista Serafina; Classificados: Veículos, Construção, Empregos, Negócios, Imóveis
* Circulam somente em São Paulo
- Opinião - com layout fixo, ocupa as primeiras páginas do jornal, A2 e A3. Conforme o diagrama abaixo, a primeira página é ocupada por dois editoriais; três artigos de colunistas, de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro; a coluna vertical e a seção de frases. A segunda página é ocupada pelo Painel do Leitor, pela seção Erramos e também pela seção Tendências/Debates, que aos domingos e dias de semana publica artigos assinados por personalidades (principalmente políticos, empresários e cientistas), geralmente composições políticas contrárias entre si e aos sábados lança uma questão que é respondida com um artigo favorável e outro contra.
- Colunistas
- Coluna vertical
- Alba Zaluar (segunda-feira)
- Roberto Mangabeira Unger (terça-feira)
- Antonio Delfim Netto (quarta-feira)
- Demétrio Magnoli (quinta-feira)
- José Sarney (sexta-feira)
- Dom Luciano Mendes de Almeida (sábado)
- Antônio Ermírio de Moraes (domingo)
- Brasil
- Colunistas
- Renata Lo Prete (Painel)
- Nelson de Sá (Toda Mídia)
- Colunistas
- Mundo
- Ciência
- Dinheiro
- Colunistas
- Guilherme Barros (Mercado Aberto)
- Luiz Carlos Mendonça de Barros
- César Benjamin
- Colunistas
- Cotidiano
- Colunistas
- Esporte
- Ilustrada
- Colunistas
- Alcino Leite Neto (Última Moda)
- Carlos Heitor Cony
- Contardo Calligaris
- Daniel Castro (Outro Canal)
- José Simão
- Mônica Bergamo
- Cartunistas
- Adão Iturrusgarai (Aline, La Vie en Rose)
- Allan Sieber (Preto no Branco)
- Angeli (Chiclete com Banana)
- Caco Galhardo (Os Pescoçudos)
- Dik Browne (Hagar, o Horrível)
- Fábio Moon e Gabriel Bá (Quase Nada)
- Fernando Gonsales (Níquel Náusea)
- Glauco (Geraldão)
- Jim Davis (Garfield)
- Laerte (Piratas do Tietê)
- Colunistas
- Classificados
- Folhateen - Publicado às segundas.
- Colunistas
- Álvaro Pereira Júnior (Escuta Aqui)
- Jairo Bouer (Sexo e Saúde)
- Nina Lemos, Jô Hallack e Raq Affonso (02 Neurônio)
- Cartunistas
- Colunistas
- Fovest - Publicado às terças-feiras.
- Informática - Publicado às quartas-feiras.
- Equilíbrio - Publicado às quintas-feiras.
- Turismo - Publicado às quintas-feiras.
- Guia da Folha - Publicado às sextas-feiras, somente em São Paulo.
- Folhinha - Publicado aos sábados.
- Mais! - Publicado aos domingos.
- Colunistas
- Jorge Coli (Ponto de Fuga)
- Colunistas
- Revista da Folha - Publicada aos domingos.
Colunistas
Entre seus colunistas estão Gilberto Dimenstein, Clóvis Rossi e Jânio de Freitas.
Correspondentes no exterior
A Folha conta hoje com nove correspondentes. São eles:
- Andrea Murta, em Washington D.C. (EUA)
- Janaina Lage, em Nova York (EUA)
- Cristina Fibe, em Nova York (EUA)
- Silvana Arantes, em Buenos Aires (Argentina)
- Fabiano Maisonnave, em Caracas (Venezuela)
- Luciana Coelho, em Genebra (Suíça)
- Raul Juste Lores, em Pequim (China)
- Marcelo Ninio, em Jerusalém (Israel)
- Fábio Zanini, em Joanesburgo (África do Sul)
Controvérsias
"Ditabranda"
Em 17 de fevereiro de 2009, num editorial criticando o governo de Hugo Chávez na Venezuela, o jornal se referiu à ditadura militar brasileira como uma "ditabranda". Como a Folha de S. Paulo é o jornal de maior circulação do país, as reações ao uso da palavra foram quase imediatas.[7] Entre os primeiros a condenarem a utilização do termo estavam os leitores do próprio jornal e os professores da Universidade de São Paulo Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato.[7] O jornal respondeu que "respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro". Apesar disso, tentou desqualificar as cartas enviadas por Benevides e Comparto, pois eles alegadamente "até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba". De acordo com a Folha de S. Paulo, a indignação deles era "cínica e mentirosa".[8]
A utilização do termo "ditabranda" rendeu ao jornal duras críticas em fóruns de discussão na internet e em outros veículos de mídia, tais como as pequenas revistas de esquerda Fórum,[9] Caros Amigos (que publicou matéria de capa sobre a utilização do termo),[10] e Carta Capital.[11] Nenhuma dessas críticas, entretanto, teve tanta visibilidade quanto uma reportagem intitulada "O escândalo da ditabranda" exibida pela Rede Record no Domingo Espetacular. A reportagem exibiu provas de que o Grupo Folha mantinha ligações com os órgãos de repressão da ditadura, conforme já havia denunciado Gaspari em seu livro. A Folha de S. Paulo rechaçou as acusações e denunciou a ligação entre a Igreja Universal do Reino de Deus, o que fez com que a Record exibisse a reportagem de novo no Jornal da Record e a colocasse em seu canal oficial no YouTube.[12]
Ficha policial falsa de Dilma Rousseff
Em 5 de abril de 2009, menos de dois meses após o escândalo da "ditabranda", a Folha de S. Paulo publicou, ao lado de uma reportagem que tratava do suposto plano da VAR-Palmares para sequestrar o então ministro da economia Antonio Delfim Netto, uma ficha policial falsa de Dilma Rousseff, atual ministra-chefe da Casa Civil e candidata do Partido dos Trabalhadores à presidência da República. O jornal mais tarde afirmou que a "autenticidade de ficha de Dilma não é provada". A ficha policial, recebida por e-mail, pode ser encontrada no site de ultra-direita Ternuma e não existe no Arquivo Público do Estado de São Paulo, onde estão guardados os documentos do antigo Departamento de Ordem Política e Social.[13]
Referências
- ↑ Folha Online, A trajetória de Frias de Oliveira
- ↑ GASPARI, Elio. A Ditadura Escancarada: As Ilusões Armadas. São Paulo: Companhia das Letras, 1ª edição, 2002, p. 395
- ↑ http://www.abccom.com.br/noticiaAberta.asp?cd=572
- ↑ http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&dia=17&mes=11&ano=2009
- ↑ Maiores jornais do Brasil. ANJ - Associação Nacional dos Jornais. Página visitada em 22/02/2010.
- ↑ "IVC aponta que circulação dos vinte maiores jornais do Brasil caiu 6,9% em 2009". Portal Imprensa. 03/02/2010. (página da notícia visitada em 22/02/2010)
- ↑ a b Editorial. "Limites a Chávez". Folha de S. Paulo. 17 de fevereiro de 2009. (Postado em NucleodeNoticias.com.br em 27 de fevereiro de 2009).
- ↑ FEIL, Cristóvão. "A Folha e a ditabranda". Blog Vi O Mundo por Luiz Carlos Azenha, 21 de fevereiro de 2009.
- ↑ RAMOS, Camila Souza (entrevista com Beatriz Kushnir). "A "ditabranda" e os interesses comerciais da Folha". Revista Fórum. 20 de março 2009.
- ↑ CINTRA, André. "De caso com a Ditabranda". Caros Amigos. Abril de 2009.
- ↑ BENEVIDES, Maria Victoria de Mesquita. "'Ditabranda' para quem?". Carta Capital. 27 de fevereiro de 2009.
- ↑ Canal da Rede Record no YouTube, vídeo "O escândalo da ditabranda" enviado em 7 de abril de 2009.. Página visitada em 23 de maio de 2009..
- ↑ MAGALHÃES, Luiz Antonio. "Folha publicou ficha falsa de Dilma". Observatório da Imprensa. 25 de abril de 2009.
Ver também
Ligações externas
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